No Brasil, o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, vendeu parte de seus bens e percorreu mais de 2.000 quilômetros para encontrar uma mulher que não existe: sua aparência e sua voz foram criadas por IA.

Como um homem se apaixonou por uma IA

Edimar conheceu Jéssica pelas redes sociais Kwai e Facebook. Em seus vídeos, a loira atraente se apresentava como viúva e dona de uma grande fazenda no estado de Minas Gerais. Ela dizia que procurava um companheiro para a vida e que estava disposta a oferecer moradia e apoio financeiro. Só no TikTok, a garota virtual tinha mais de 300 mil seguidores.

Segundo o pedreiro, Jéssica respondia às mensagens dele e o convidou várias vezes para se mudar para a casa dela. Ele acreditou que os dois tinham iniciado um relacionamento amoroso. A decisão também foi influenciada pelo seu estado emocional delicado após a morte da mãe. Edimar contou a jornalistas que sofria de solidão e queria começar uma vida nova.

Em outubro de 2026, Edimar decidiu se mudar. Vendeu parte de seus pertences, gastou suas economias e partiu de ônibus de Imperatriz para Belo Horizonte. A viagem, de cerca de 2.100 quilômetros, durou mais de 36 horas.

Ao chegar, o pedreiro tentou encontrar a namorada, mas não conseguiu. Em busca de ajuda, procurou um jornalista da rádio local Rádio Itatiaia e pediu que avisasse Jéssica que ele já havia chegado. O repórter explicou que a mulher dos vídeos havia sido criada por uma rede neural e não existia na vida real.

O que o criador da mulher virtual contou

Depois que a história veio à tona, o administrador da conta de Jéssica publicou um vídeo com explicações. Segundo ele, o perfil foi criado exclusivamente para atrair público e vender produtos pelo TikTok Shop e pelo Mercado Livre. As publicações anunciavam roupas, suplementos alimentares e outros produtos.

O criador da mulher virtual também negou as afirmações de Edimar sobre conversas privadas. Disse que nunca havia falado com o homem nem convidado ninguém para Belo Horizonte. É provável que o pedreiro tenha interpretado vídeos públicos e respostas automáticas como mensagens dirigidas especificamente a ele.

Como a história terminou

Sem dinheiro e em uma cidade desconhecida, Edimar procurou ajuda no serviço municipal de apoio a migrantes. Os funcionários lhe forneceram comida e ajudaram a organizar seu retorno para casa.

Em 15 de outubro, o homem voltou a Imperatriz, onde foi recebido por parentes. A viagem de volta também foi difícil: no caminho, Edimar teve problemas de saúde e precisou de atendimento médico.

Apesar do que passou, o pedreiro não desistiu da ideia de voltar a Belo Horizonte. Planeja retornar em 2027 para comemorar seu 50º aniversário, mas desta vez como turista.

Vale destacar que este não é o primeiro caso do tipo. Segundo a Rádio Itatiaia, nos últimos seis meses, dois homens idosos já foram a Belo Horizonte depois de acreditar em convites de mulheres virtuais. Um veio do estado de Roraima em junho, e o outro, de Manaus, em agosto.

A história de Edimar mostra o quanto os personagens de IA nas redes sociais se tornaram convincentes. Vídeos realistas, mensagens dirigidas diretamente ao espectador e respostas automáticas podem criar a sensação de uma conversa pessoal mesmo quando não há uma pessoa real por trás da conta.

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